Arquivo para outubro, 2010

Pronomes

Iniciaremos, pois, o assunto que ora se evidencia tendo como ponto de partida a análise do enunciado subsequente:

Atendo-nos aos termos em destaque, constatamos que o primeiro acompanha o substantivo “primo”, indicando a ideia de posse, e o segundo desempenha a função de substituí-lo. Tais funções são atribuídas à classe em questão, desta vez representada pelos pronomes.

Acompanhando ou substituindo o nome (substantivo), os pronomes também identificam o ser que utiliza a língua no momento em que a comunicação se efetiva, indicando, pois, as pessoas do discurso. Podendo estas, serem assim representadas:

Podem, também, se referir a um determinado ser, relacionando-o a estas pessoas, no sentido de retratar a ideia de proximidade, como nos exemplos mencionados:

Este é o livro que o professor indicou.  (indica que o objeto se encontra próximo da pessoa que fala)

Esse vestido é lindo. (revela que o ser se encontra próximo à pessoa com quem se fala)

Aqueles garotos são muito esforçados. (pressupõe-se que o ser se encontra distante, tanto da pessoa que fala, quanto da pessoa com quem se fala)

Dentre as subclassificações que a eles se referem, citamos os pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos, estudados, posteriormente, de modo particular.

Os pronomes pessoais – características relevantes

Como já nos é familiar, o assunto em questão aborda mais uma das dez classes de palavras, desta vez representadas pelos pronomes, também demarcados por distintos traços peculiares.

Dentre tais peculiaridades, ressalta-se o fato de que apresentam subdivisões específicas. E, por assim dizer, nosso objetivo pauta-se por evidenciar os pronomes pessoais, tendo em vista as ocorrências linguísticas manifestadas por eles.

Os pronomes pessoais, tomados em seu sentido literal, representam as três pessoas do discurso, variando de acordo com as funções exercidas mediante um contexto linguístico. Assim sendo, dividem-se em pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo, como bem nos revela a tabela a seguir:


Elencadas as informações em evidência, focalizaremos no emprego a que se refere a modalidade em questão. Eis, portanto, alguns pressupostos:

Pronomes pessoais do caso reto

a) Em algumas circunstâncias, sintaticamente, podem exercer a função de predicativo do sujeito.
Exemplos:

Minha maior satisfação é ele.
predicativo do sujeito

Nossa razão de viver são elas.
predicativo do sujeito

b) Ainda nos atendo à sintaxe, geralmente, também exercem a função de sujeito.
Exemplos:

Nós fomos os primeiros colocados no concurso.
Sujeito simples

Eu e ele formamos um belo par.
Sujeito composto

c) Os pronomes “tu” e “vós” podem exercem a função de vocativo.
Exemplos:

Ó vós, que sois tão bondoso, socorrei-me! (vocativo)
Ó tu, onde estás que não me respondes? (vocativo)

d) Os pronomes “eu” e “tu” não prescindem do uso da preposição. Logo, devemos substituí-los pelos pronomes “mim” e “ti”.
Exemplos:

Não há mais nada entre mim e ele.
Confiamos demais em ti.

e) No que se refere ao pronome “vós”, este não está presente em situações corriqueiras de comunicação, uma vez que seu uso se restringe às situações um tanto quanto formais, como também às linguagens literária e religiosa de forma geral.
Exemplos:

Estamos falando de vós, que estais a cantar.

vós sois o Altíssimo.

Analisando os pronomes possessivos

Atentemo-nos às orações que se seguem:

Cuide de seus interesses, pois eles proporcionar-lhe-ão excelentes oportunidades.

A cada quinze dias, visito meus familiares.

Zele por sua imagem, pois ela diz muito a seu respeito.

Certamente que ao nos referirmos aos termos ora em destaque, estes parecem revelar indícios suficientes para que possamos compreender as características que demarcam mais uma das muitas subdivisões a que se relacionam os pronomes. Pois bem, o termo “possessivo” nos remete à noção de posse, em se tratando das três pessoas do discurso.

Assim sendo, vejamo-los:


Dadas as particularidades as quais se relacionam aos fenômenos linguísticos de forma geral, compartilharemos a seguir com algumas delas, tendo como referencial o emprego dos pronomes possesivos mediante distintos contextos linguísticos.

a) O emprego dos pronomes possessivos, representados por “seu”, “sua”, “seus”, “suas”, em determinadas circunstâncias, pode causar duplo sentido.
Exemplo:

A mãe não autorizou que o filho dirigisse seu carro.

Neste caso, estamos nos referindo ao carro de quem mesmo?

Diante de tal perspectiva, o enunciado carece de uma reformulação, expressa por:

A mãe não autorizou que o filho dirigisse o carro dela.

b) Muitas vezes, os pronomes possessivos, além de retratarem o sentido convencional (posse), representam também outros sentidos, como o caso de afetividade, respeito, cálculo aproximado e também ofensa.
Exemplos:

A sala de espera, minha senhora, é aqui ao lado. (respeito)

Seu ingrato, não reconhece o quanto lhe ajudei? (ofensa)

Ela dever ter lá seus trinta e dois anos. (cálculo aproximado)

Meu caro amigo, quantas saudades sinto de você! (afetividade)

c) Não se recomenda o uso da modalidade em questão ao nos referirmos às partes do corpo que se relacionam ao próprio sujeito da oração, visto que seria redundante dizermos:

Eu penteei os meus cabelos. (Eu penteei os cabelos)
O atleta machucou a sua perna. (O atleta machucou a perna)

d) Em determinadas circunstâncias, os pronomes oblíquos “me”, “te”, “nos” e “vos” podem exercer a mesma função dos possessivos.
Exemplo:

Toquei-lhe o rosto. (Toquei o seu rosto)

e) De modo a realçar o caráter possessivo, podemos empregar os vocábulos próprio(s), própria(s).
Exemplos:

Como? Falando mal de seu próprio irmão?
Os fatos aconteciam dentro de sua própria casa.

Pronomes indefinidos

Como bem retrata o conceito ora proferido, os pronomes indefinidos são aqueles que se referem à terceira pessoa do discurso de modo genérico, vago ou impreciso. Fato notoriamente comprovado em:

Assemelhando-se a outras classes gramaticais, constituem-se de alguns traços que os demarcam, como é o caso de alguns serem flexionados, outros não. Assim sendo, focalizaremos nossa atenção em algumas considerações elucidadas a seguir, tendo em vista sua classificação, bem como as circunstâncias linguísticas em que se encontram manifestados. Vejamo-las:

Quanto ao emprego, temos que:

a) O pronome “certo”, quando posposto ao substantivo, representa um adjetivo.

Estamos no momento certo para recomeçarmos.

b) O pronome “algum” (e demais variações), quando posposto ao substantivo, denota sentido negativo.

Isso não tem valor algum.

c) Quando colocado antes, representa valor positivo.

Ao revê-lo, algumas alegrias contagiaram-me.

d) O pronome “qualquer”, quando posposto ao substantivo, denota sentido pejorativo.

Trata-se de uma mulher qualquer.

e) Quando empregado em frases interrogativas, o pronome “nada” se equivale a “alguma coisa”.

Como! Não trouxe nada para comermos?

f) O pronome “cada”, no caso de não anteceder um substantivo deverá ser precedido dos termos “um” ou “qual”.

Chegaram os dois garotos, cada qual mais bem vestido que o outro.

Fonemas e Aparelho fonador

Fonemas são as entidades capazes de estabelecer distinção entre as palavras.
Exemplos: casa/capa, muro/mudo, dia/tia

A troca de um único fonema determina o surgimento de outra palavra ou um som sem sentido. O fonema se manifesta no som produzido, sendo registrado pela letra e representado graficamente por ela. O fonema /z/, por exemplo, pode ser representado por várias letras: z (fazenda), x (exagerado), s (mesa).

Atenção:

Os fonemas são representados entre barras. Exemplos: /m/, /o/.

Aparelho fonador

Os sons da fala são produzidos pelo aparelho fonador. O aparelho fonador é constituído de:

pulmões
brônquios e traqueia
laringe
glote
cordas vocais
faringe
úvula
boca e órgãos anexos
fossas nasais

Classificação das Vogais e Consoantes

1- Quanto à zona de articulação:

A zona de articulação está relacionada com a região da boca onde as vogais são articuladas.

a- média – é articulada com a língua abaixada, quase em repouso. Ex.: a (pasta).

b- anteriores – são articuladas com a língua elevada em direção ao palato duro, próximo ao dentes. Ex.: é (pé), ê (dedo), i (botina).

c- posteriores – são articuladas quando a língua se dirige ao palato mole. Ex.: ó (pó), ô (lobo), u (resumo).

2- Quanto ao papel das cavidades, bucal e nasal:

A corrente de ar pode passar só pela boca (orais) ou simultaneamente pela boca e fossas nasais (nasais).

a- orais: (pata), (sapé), (veia), (vila), (sol), (aborto), (fluxo).

b- nasais: (fã), (tempo), (cinto), (sombrio), (fundo).

3- Quanto à intensidade:

A intensidade está relacionada com a tonicidade da vogal.

a- tônicas: café, cama.

b- átonas: massa, bote.

4- Quanto ao timbre:

O timbre está relacionado com a abertura da boca.

a- abertas: (sapo), (neve), (bola).

b- fechadas: ê (mesa), ô (domador), i (bico), u (útero) e todas as nasais.

c- reduzidas: são as vogais reduzidas no timbre, já que são vogais átonas (orais ou nasais, finais ou internas). Exemplos: (cara, cantei).

Curiosidades:

Alguns autores citam um terceiro tipo de vogal quanto à intensidade, as subtônicas. Ver CEGALLA E LUFT
Ex.: pazinha

Classificação das Consoantes

As consoantes são classificadas de acordo com quatro critérios:

1- Modo de articulação: é a forma pela qual as consoantes são articuladas. Quanto ao modo de articulação, as consoantes podem ser oclusivas ou constritivas.

a- Nas oclusivas existe um bloqueio total do ar.

b- Nas constritivas existe um bloqueio parcial do ar.

2- Ponto de articulação: é o lugar onde a corrente de ar é articulada (lábios, dentes, palato…). De acordo com o ponto onde é articulada, as consoantes são classificadas em:

a – bilabiais- lábios + lábios.

b- labiodentais- lábios + dentes superiores.

c- linguodentais- língua + dentes superiores.

d- alveolares- língua + alvéolos dos dentes.

e- palatais- dorso do língua + céu da boca.

f- velares- parte superior da língua + palato mole.

3- Função das cordas vocais: se a cordas vocais vibrarem, a consoante será sonora; caso contrário, a consoante será surda.

4- Função das cavidades, bucal e nasal: caso o ar saia somente pela boca, as consoantes serão orais; se sair também pelas fossas nasais, as consoantes serão nasais.

Classificação dos Fonemas e Dígrafos

Os fonemas da Língua Portuguesa classificam-se em vogais, semivogais e consoantes.

Vogais: são fonemas pronunciados sem obstáculo à passagem de ar, chegando livremente ao exterior. Exemplos: pato, bota.

Semivogais: são os fonemas que se juntam a uma vogal, formando com esta uma só sílaba. Exemplos: couro, baile.

Observe que só os fonemas /i/ e /u/ átonos funcionam como semivogais. Para que não sejam confundidos com as vogais i e u serão representados por [y] e [w] e chamados, respectivamente, de iode e vau.

Consoantes: são fonemas produzidos mediante a resistência que os órgãos bucais (língua, dentes, lábios) opõem à passagem de ar. Exemplos: caderno, lâmpada.

Dicas:

Em nossa língua, a vogal é o elemento básico, suficiente e indispensável para a formação da sílaba. Você encontrará sílabas constituídas só de vogais, mas nunca formadas somente com consoantes. Exemplos: viúva, abelha.


Dígrafos

É a união de duas letras representando um só fonema. Observe que no caso dos dígrafos não há correspondência direta entre o número de letras e o número de fonemas.

Dígrafos que desempenham a função de consoantes: ch (chuva), lh (molho), nh (unha), rr (carro) e outros.

Dígrafos que desempenham a função de vogais nasais: am (campo), en (bento), om (tombo) e outros.

Encontros Vocálicos e Consonantais

Há três tipos de encontros vocálicos: ditongo, hiato e tritongo.

Ditongo: é a junção de uma vogal + uma semivogal (ditongo decrescente), ou vice-versa (ditongo crescente), na mesma sílaba.
Ex.: noite (ditongo decrescente), quase (ditongo crescente).

Hiato: é a junção de duas vogais pronunciadas separadamente, formando sílabas distintas.
Ex.: saída, coelho

Tritongo: é a junção de semivogal + vogal + semivogal, formando uma só sílaba.
Ex.: Paraguai, arguiu.

Atenção:

Não se esqueça que só as vogais /i/ e /u/ podem funcionar como semivogais. Quando semivogais, serão representadas por /y/ e /w/, respectivamente.

Encontros consonantais

Quando existe uma sequência de duas ou mais consoantes em uma mesma palavra, denominamos essa sequência de encontro consonantal.

O encontro pode ocorrer:

- na mesma sílaba: cla-ri-da-de, fri-tu-ra, am-plo

- em sílabas diferentes: af-ta, com-pul-só-rio

Atenção:

Nos encontros consonantais, somos capazes de perceber o som de
todas as consoantes.


Sílaba e Divisão silábica

Sílaba é a unidade ou grupo de fonemas emitidos num só impulso da voz.

Divisão silábica

A fala é o primeiro e mais importante recurso usado para a divisão silábica na escrita.

Regra geral:

Toda sílaba, obrigatoriamente, possui uma vogal.

Regras práticas:

Não se separam ditongos e tritongos.
Exemplos: mau, averiguei.

Separam-se as letras que representam os hiatos.
Exemplos: sa-í-da, vo-o

Separam-se somente os dígrafos rr, ss, sc, sç, xc.
Exemplos: pas-se-a-ta, car-ro, ex-ce-to…

Separam-se os encontros consonantais pronunciados separadamente.
Exemplo: car-ta.

Os elementos mórficos das palavras (prefixos, radicais, sufixos), quando incorporados à palavra, obedecem às regras gerais.
Exemplos: de-sa-ten-to, bi-sa-vô, tran-sa-tlân-ti-co…

Consoante não seguida de vogal permanece na sílaba anterior. Quando isso ocorrer em início de palavra, a consoante será anexa à sílaba seguinte.
Exemplos: ad-je-ti-vo, tungs-tê-nio, psi-có-lo-go, gno-mo…

Acento tônico/ gráfico

1- Sílaba tônica- A sílaba proferida com mais intensidade que as outras é a sílaba tônica. Esta possui o acento tônico, também chamado acento de intensidade ou prosódico.

Exemplos:
ca, caderno, lâmpada

2- Sílaba subtônica- Algumas palavras geralmente derivadas e polissílabas, além do acento tônico, possuem um acento secundário. A sílaba com acento secundário é chamada de subtônica.

Exemplos:
terrinha, sozinho

3- Sílaba átona- As sílabas que não são tônicas nem subtônicas chamam-se átonas.
Podem ser pretônicas (antes da tônica) ou postônicas (depois da tônica).

Exemplos:
barata (átona pretônica, tônica, átona postônica)

quina (tônica, átona postônica, átona postônica)

Atenção:

Não confunda acento tônico com acento gráfico. O acento tônico está relacionado com intensidade de som e existe em todas as palavras com duas ou mais sílabas. O acento gráfico existirá em apenas algumas palavras e será usado de acordo com regras de acentuação.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.