Arquivo para outubro, 2010

O coletivo de alguns numerais

Antes de darmos início aos nossos estudos sobre o assunto em pauta, torna-se altamente sugestivo enfatizarmos sobre o fato de que a maioria das classes gramaticais são dotadas de particularidades com as quais devemos nos mostrar aptos a compartilhar.

E por assim dizer, há um termo referente ao título deste artigo que nos chama a atenção – coletivos. Pois bem, semelhantemente aos substantivos, os numerais também possuem coletivos, ou seja, apesar de o termo ser especificado no singular, a ideia representada por este indica uma multiplicidade de elementos. A título de representação, tomaremos como exemplo a palavra “triênio” que, mesmo expressa sob a forma singularizada, representa um conjunto de anos, mais precisamente de três.

Diante disso, concretizaremos nossos objetivos no sentido de estabelecermos uma familiaridade maior com essa ocorrência linguística, atendo-nos a alguns casos que a representam:

O grau diminutivo dos substantivos

Como sabemos, o grau refere-se a uma das flexões às quais se submetem os substantivos, cuja ideia se relaciona ao tamanho, visto sob uma ótica inferior, embora entendida não no seu sentido pejorativo.

Classificados na forma analítica, recebem o auxílio de determinadas palavras que lhes conferem o sentido anteriormente expresso. Como por exemplo:


Classificados na forma sintética recebem alguns sufixos que também exercem a mesma função, conferindo-lhes o mesmo atributo, podendo apresentar mais de uma forma pra especificá-los. Diante dessa prerrogativa, analisemos alguns casos em questão:

Gerúndio… Gerundismo?- Uma análise linguística

Uma forma nominal entrecruzando-se com um modismo vocabular… Não é mesmo que esta “onda” já pegou? Tal ocorrência revela somente mais um dos hábitos a que os falantes se apegam sem ao menos se dar conta de que, perante o padrão formal da linguagem, são tidos como errôneos.

Abnegando-se de quaisquer intenções de natureza categórica, há que se mencionar que este “fenômeno” se evidencia em várias esferas da sociedade, seja em instituições bancárias, empresariais, educacionais, nas conversas proferidas ao telefone, naquelas informais do dia a dia, e acredite… até mesmo nas formais, mais precisamente na escrita…

Situações corriqueiras como:

Mas afinal, onde reside a incoerência?

O fato é que precisamos estar cientes de que o gerúndio se caracteriza como uma forma nominal aplicável em várias circunstâncias, desde que condizente como tal, ou seja, para expressar uma ação em curso ou uma ação simultânea a outra, ou para exprimir a ideia de progressão indefinida. Portanto, os presentes enunciados carecem de uma reformulação, cuja maneira assim se evidenciaria:

Desta forma, ao fazer uso do gerundismo, a ideia expressa pelo falante não se revela pela noção de simultaneidade, mas sim pelo fato de denotar uma ação específica, na qual esta continuidade torna-se desprezível, como em: “Vou estar transferindo”. “Vou transferir” retrata uma ação que vai ocorrer deste momento em diante, enquanto que dito de outra forma (Vou estar transferindo) se refere a um futuro em andamento – daí a recusa da “permanência no tempo” (continuidade).

Diante de tais pressupostos, torna-se essencial que entendamos acerca das características às quais o gerúndio se refere, uma vez que se trata de uma forma nominal constituída por um verbo auxiliar (ser, estar, dentre outros) acrescido de um outro verbo cuja terminação se define por -NDO. Tornando-se viável mediante enunciados semelhantes a:

É bem provável que amanhã estará chovendo, razão pela qual não iremos à praia.

Andam dizendo por aí que não mais voltarei, enganam-se por demais.

O tempo ia passando e nada de encontrarmos solução para aquele problema.

Aos poucos você vai se acostumando com a ideia de perdê-lo.

Locuções adverbiais

Atendo-nos ao vocábulo “locução”, este nos remete à noção da existência de duas palavras exercendo a função de uma só classe de palavras. Semelhantemente às conjuntivas, prepositivas, verbais e adjetivas, as locuções adverbiais também se ocupam da já mencionada atribuição – representar o valor de um advérbio somente.

Atribuição esta que se deve à única e exclusivamente circunstância que expressam, tais como estas identificadas mediante os seguintes casos:

O professor saiu às pressas.
(circunstância de modo)

Ficaremos por aqui nestes próximos dias.
(circunstância de lugar)

Com certeza não participarei de todos os eventos.
(circunstância de afirmação)

Outro aspecto de notória relevância é que determinadas locuções já possuem seus respectivos advérbios a que se correspondem, outras não necessariamente, como é o caso de “com certeza” – certamente; “às claras” – claramente; “de repente” – repentinamente.
Já em outros exemplos, representados por “à esquerda”, “de vez em quando”, dentre outros, não há este pormenor.

De forma a fazer com que este assunto se torne um tanto quanto familiar, analisemos outros casos que representam a particularidade gramatical em questão. Eis que são:

às vezes
às claras
à esquerda
à direita
ao fundo
à distância
ao vivo
a pé
às pressas
de repente
de súbito
por dentro
por fora
por perto
de propósito
com clama
com certeza
sem dúvida
de propósito
lado a lado
passo a passo
ao longo

Formas nominais relativas aos verbos

Discorrer acerca desta classe gramatical ora representada pelo verbo implica ressaltar sobre suas muitas peculiaridades. Dentre elas figuram-se as denominadas “formas nominais”. Mas como toda e qualquer denominação se encontra arraigada em um determinado fato, estas assim se representam em decorrência de que em certas circunstâncias ocupam a função de substantivo, adjetivo ou do próprio verbo. Outro fator de notável pertinência é o fato de elas não expressarem nem o tempo e nem o modo verbal, assim como o fazem inúmeros verbos.

Podemos detectar que a presente afirmativa se materializa ao analisarmos as seguintes ocorrências:

Márcia, já podemos jantar?

De acordo com o contexto, o termo em referência classifica-se como verbo.

Mamãe avisou-nos que o jantar já estava servido.

Neste outro o termo assume a forma de um substantivo.

Mas, de modo específico analisaremos cada uma das formas nominais, seguidas de suas respectivas características:

Infinitivo

O infinitivo caracteriza-se por apresentar um processo verbal em si mesmo, isentando-se de aspectos ligados ao tempo e modo. Esclarecendo, pois, é o verbo em sua forma original, representado pelas terminações: -AR; -ER; -IR.

Ex: É expressamente proibido ligar som automotivo neste recinto.

Precisamos rever nossos amigos.

Infelizmente, chegou a hora de você partir.

Gerúndio

Constitui-se de um verbo auxiliar (ser, estar) + um principal, acrescido da terminação –NDO e retrata uma ação em processo.

Ex: O estava estudando na biblioteca.
(verbo estar – pretérito imperfeito do modo indicativo + estudar =NDO)

Particípio

Revela um tempo decorrido, constituindo-se também de um verbo auxiliar + um principal, seguido da terminação –ADO e –IDO.

Ex: Marcos tinha estudado bastante para esta avaliação.
(verbo principal + auxiliar – terminação –ADO)

Substantivos coletivos

Mediante a prática da escrita, servimo-nos dos recursos que a gramática nos disponibiliza. Entre tais, há distintos conteúdos, todos distribuídos de acordo com algumas partes específicas que a ela pertencem, isto é, morfologia, semântica, sintaxe, fonética, estilística e fonética. Todas mantendo entre si uma efetiva correlação, pois os termos que as constituem estabelecem uma relação mútua entre variados aspectos para tornarem-se materializados.

De forma esclarecedora, tomamos como ponto de partida o fato de a sintaxe estar intrinsecamente “atrelada” à morfologia, e assim sucessivamente, em se tratando das demais partes. E por ressaltá-las, especificamente enfatizaremos acerca de uma classe gramatical que também nos subsidia de modo a compor nosso discurso, tanto na oralidade quanto na escrita, ora representada pelos substantivos.

Estes, assim como tantos outros, se perfazem de características que lhes são próprias e, diga-se de passagem, a classe em questão revela-se pela sua complexidade. Assim sendo, ater-nos-emos a uma delas que se manifestam em virtude de uma particularidade – o fato de um substantivo comum (estando sob a forma singularizada) designar uma reunião de outros seres, todos da mesma espécie, denominado de substantivo coletivo.

De forma a conhecê-los melhor, abaixo segue descrita uma listagem com os principais exemplos que representam tal modalidade:

Substantivo coletivo Conjunto de:
assembleia pessoas reunidas
alcateia lobos
acervo livros
antologia trechos literários selecionados
arquipélago ilhas
banda músicos
bando desordeiros ou malfeitores
banca examinadores
batalhão soldados
cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
cacho frutas
cáfila camelos
cancioneiro canções, poesias líricas
colmeia abelhas
chusma gente, pessoas
concílio bispos
congresso parlamentares, cientistas.
elenco atores de uma peça ou filme
esquadra navios de guerra
enxoval roupas
falange soldados, anjos
fauna animais de uma região
feixe lenha, capim
flora vegetais de uma região
frota navios mercantes, ônibus
girândola fogos de artifício
horda bandidos, invasores
junta médicos, bois, credores, examinadores
júri jurados
legião soldados, anjos, demônios
leva presos, recrutas
malta malfeitores ou desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes,
matilha cães de raça
molho chaves, verduras
multidão pessoas em geral
ninhada pintos
nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
penca bananas, chaves
pinacoteca pinturas, quadros
quadrilha ladrões, bandidos
ramalhete flores
rebanho ovelhas
récua bestas de carga, cavalgadura
repertório peças teatrais, obras musicais
réstia alhos ou cebolas
romanceiro poesias narrativas
revoada pássaros
sínodo párocos
talha lenha
tropa muares, soldados
turma estudantes, trabalhadores
vara porcos

Artigos

Os artigos figuram-se entre as dez classes gramaticais que compõem uma das partes relacionadas à gramática, ora denominada de Morfologia. Conceituam-se como sendo o termo que antecede o substantivo com a finalidade de determiná-lo ou indeterminá-lo.

Semelhantemente aos outros elementos que constituem tais classes, se perfazem de determinadas características que lhes são específicas, dentre elas, o fato de serem passíveis de flexões, tanto de número quanto de gênero. Como visivelmente demarcadas em:

Outro aspecto notório que também se liga a esta flexibilidade é o caso de os artigos juntarem-se às preposições, resultando em novas formas, como por exemplo:

a+o = ao;
em+um= num; em +uma=numa…

De acordo com as já citadas finalidades, classificam-se em definidos e indefinidos. Assim sendo, vejamo-los de modo particular:

Artigos definidos – São utilizados para indicar seres determinados, individualizando-os.
Ex:

Jogo de Bola

A bela bola
Rola:
A bela bola do Raul.

Bola amarela,
A da Arabela.

A do Raul,
Azul.

Rola a amarela
E pula a azul.
[…]
Cecília Meireles

O que devemos nos atentar é para o fato de que nem sempre o artigo se encontrará justaposto ao substantivo, podendo haver entre eles uma palavra pertencente a outra classe gramatical, como é o caso da primeira estrofe, em que um adjetivo (bela) ocupou tal posição:

A bela bola
Rola:
A bela bola do Raul.

Artigos indefinidos – Indicam seres não mais de uma forma específica, mas de modo generalizado, vago.
Ex:

Projeto de prefácio

Sábias agudezas… refinamentos…
– não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
Mario Quintana

Há algumas peculiaridades concernentes ao emprego da classe em questão dignas de nota. Para tanto, observemos:

a) É facultativo o emprego do artigo antes de nomes próprios personativos quando há ideia de familiaridade ou afetividade.

Exs: O Pedro é meu primo mais velho / Cristina é amiga para todos os momentos.

b) Recomenda-se o uso do artigo depois do numeral “ambos”.

Ex: Ambos os colegas estão pleiteando a vaga de monitoria.

c) O artigo encontra-se presente antes de nomes próprios personativos, quando estes estiverem sob sua forma pluralizada.

Exs: Os Fontes, Os Incas, Os Astecas…

d) Emprega-se o artigo depois do pronome indefinido “todo” de modo a conferir a noção de totalidade.

Ex: Por toda a cidade constatamos uma intensa poluição visual.

e) Prescindem-se do artigo alguns nomes próprios indicadores de lugar, outros não. Como é caso de:

A Bahia continua linda.
Manaus é considerado um polo industrial.

f) Estando no singular, o artigo definido pode designar toda uma espécie.

Ex: A dignidade é uma virtude humana.

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